sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Propriedade é Um Roubo



A propriedade, tal como é concebida juridicamente no nosso ordenamento, é injusta, pois a mesma é concebida como algo dissociado do trabalho. As sociedades capitalistas instituíram mecanismos de obtenção da propriedade que primam pela exploração de um indivíduo por outro. Exemplo disso é o fato de uma só pessoa ou um grupo de pessoas (físicas ou jurídicas), donos do que Marx chamava de meios de produção, tornar-se proprietárias da riqueza produzida sem a dispensa de esforço algum, em detrimento de todos os outros homens que que dispenderam sua força de trabalho e mesmo assim estão impedidos legalmente de se assenhorarem daquilo que produziram.

Pergunto: seria justo afirmar que um homem não tem direito a usar, gozar e dispor da totalidade dos frutos do seu trabalho? Seria justo obrigá-lo a dividir o fruto do seu trabalho, cedendo a maior parte dessa riqueza a outro homem, que não trabalhou? Acredito que a maior parte dos caros leitores imaginará que não seria justo. E acredito também que essa seria a resposta alcançada por todos aqueles que usassem nesse raciocínio tão somente a lógica que construímos a partir de nosso senso comum de justiça. O interessante é perceber que o instinto da exploração está de tal forma arraigado na mente de muitos, que ao mesmo tempo em que concordam com a injustiça contida na hipótese do questionamento exposto acima, também concordam com o fato de que seria justo um trabalhador receber, como fruto do seu trabalho, apenas uma mísera parte de sua produção de riqueza, que nós chamamos de salário.

Mesmo que os meios produtivos sejam propriedade de outrem, e que esse seja o álibi para que se justifique a parcela de ganho dos que não trabalharam para produzir a riqueza, o acúmulo do trabalho dos empregados suplantaria o valor desses meios produtivos com o passar do tempo, desobrigando a relação de subordinação entre os empregados e patrões. Diante desse raciocínio, só me resta pensar como Proudhon, que afirmava categoricamente (há mais de 150 anos atrás) que a propriedade, tal como a concebemos, é no mínimo um roubo, e são usurpadores todos aqueles que se aproveitam do trabalho alheio para construir patrimônio próprio.

Não estou afirmando que não deva existir propriedade, mas que cada um seja senhor daquilo que consegue construir com seu esforço (anarquismo é isso), e não daquilo que tomou ao sentar-se sobre as costas de alguém, mesmo que sob a égide da lei (escravidão é isso).

Pense nisso.

2 Comentários:

Epicuro disse...

O trabalhador é o soldado do exército mercantil. O trabalhador é o indivíduo que impõe no terreno as regras inventadas pelos agentes de mercado. O trabalhador é aquele que discrimina as pessoas em função do dinheiro: obedece a quem tem dinheiro, e não obedece a quem não tem dinheiro. Enquanto existirem trabalhadores não haverá paz, porque são eles que vão impor as vontades de quem tem dinheiro a todos os outros.
Um trabalhador é um prostituto que faz o que lhe manda o proxeneta mercantil, e no fim entrega-lhe o fruto da delinquência mercantil. Uns adoram e amam os seus proxenetas (a direita) e submetem-se incondicionalmente, os outros procuram-nos para os servir(a esquerda) e reclamam com quem procuraram e servem. O mercado é esse jogo idiota de prostitutas e proxenetas.
Nenhum dos papéis do jogo mercantil é válido, muito menos esse do imbecil que se dedica a produzir meios para a chantagem mercantil, e que é o fiel executante das vontades do agente de mercado. É o trabalhador que impõe no terreno o respeito pela propriedade obtida pelo negócio (agiotagem). Como é que alguém tão imbecil como o trabalhador (a prostituta que age para impor o poder de terceiros) pode ser respeitado?

Nouvebelle disse...

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